O retorno (Parte II).

Dia 13638 // 04.11.20 // Qa // F3 // 12:11.

Então eu voltei, e da última vez que tive um blog com imagens o Orkut ainda existia (eu acho), mas hoje eu olho para atrás e penso que jamais devia ter parado.

A verdade é que meus blogs eram para mim (e eu acho que também para muitos que também tinham um naquela época) ao mesmo tempo válvulas de escape e motores de criatividade. Meu blog principal por exemplo, era de desenhos (com muita coisa escrita junto) e, por um bom tempo no período final da minha última fase de desenhista, postar nele era minha motivação, eu só desenhava porque ou queria alimentar o blog, porque queria dizer algo e, para não postar apenas um texto puro, desenhava para (tentar) ilustrar a escrita. E apesar de não escrever nada de importante eu até que tive uma certa audiência lá, e era legal ver as estatísticas e saber que um pequeno grupo de pessoas se interessava no que eu estava publicando. 

Mas então veio o Facebook e os blogs começaram a morrer. Quando o Zuckerberg criou a coisa do feed, um lugar tão infinito quanto vazio, coincidência ou não, realmente igual a um universo, um lugar onde, a fim de encontrar algo interessante de se ver, uma estrela, um planeta ou asteroidizinho qualquer ao menos, você precisa viajar centenas ou milhares de anos luz no meio do nada. 

Eu sei, feeds já existiam antes, mas foi ali que ele foi aperfeiçoado, foi ali que (ao meu ver) tudo mudou. Porque o feed do Facebook fez quantidade prevalecer sobre qualidade e acostumou as pessoas a não se dedicar a nada de fato, a não se prender a nenhum endereço específico. Digo isso porque àquela altura cada pessoa na internet tinha tinha sua lista pessoa de alguns poucos endereços que cada uma delas apreciava como se fossem seus pequenos tesouros pessoais porque haviam coletado pessoalmente, um a um, nos anos anteriores à chegada da rede social azul.

Outra coisa (porque eu tirei o dia pra criticar o Facebook mesmo), foi depois do Facebook que texto grande virou textão, foi ali que virou uma ofensa a pessoa postar algo mais elaborado, mais pensado, e postagens assim passaram a ser mal vistas. “Vejam esse sujeito, enchendo meu mural com suas palavras, quem ele pensa que é? Eu não tenho tempo pra ficar parado aqui, nesse ponto específico do feed, enquanto há tanto mais logo abaixo.” Foi assim que a semente da má vontade para com as palavras foi plantada. Isso reprimiu pessoas criativas, que tinham algo a dizer. 

E eu reclamo do Facebook hoje mas a coisa já piorou até, já estamos no Instagram e, se no primeiro as pessoas foram condicionadas a falar pouco, no segundo palavras já nem são bem-vindas mais. O lugar é propositalmente projetado para não acomodar palavras, textos ficam escondidos e mal formatados. Para alguém que gosta de escrever, o lugar é praticamente hostil.

Ok, teve gente que evoluiu com a chegada dos feeds, mas eu falo especificamente com e para aqueles que sentem que eram melhores antes, que produziam mais antes, que escreviam ou desenhavam ou os dois. É o meu caso.

Mas eu admito, o mais provável é que eu só esteja sendo saudosista de um certo período da internet em um certo período da minha própria história.